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O final de Lost é maravilhoso!


"Lost" surgiu há 15 anos e foi um fenômeno único da TV, caindo nas graças do público, algo sempre perigoso. Os mistérios, que foram sua maior arma, tornaram-se num inimigo incontrolável à medida que o público exigia respostas que a série nunca prometeu entregar. Numa percepção mais imediata, é justificável a frustação diante das expectativas acumuladas nas últimas temporadas por respostas, mas em uma revisitada, é nítido que tudo estava ali como um pano de fundo para uma profunda discussão sobre a fé.
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Sim, Lindelof a guiou por embate com a ciência, mas no fim escolheu um lado com muita coerência. O último episódio evidencia essas diversas reflexões a respeito de nossa existência, conforme sua própria mitologia criada que se espelha muito em diversas religiões existentes. E independente desse caráter mais doutrinário, o divino pode ser algo desvinculado de qualquer crença e entrelaçado com as relações humanas sinceras que fazem um se erguer ao outro.
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“Perdidos” nunca se referiu a eles na Ilha, e sim nas suas vidas, os personagens despedaçados como um avião pós-queda, e a partir das relações de amizade, afeto, carinho e confiança, superar seus demônios internos e seguir em frente para algo melhor. Como diria Charlie: “You All Everybody”, todos precisavam estar juntos no pós-morte para, enfim, o avião juntar suas peças de novo e eles decolarem para um lugar melhor.
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A fé não pode ser limitada à visão patriarcal, é algo da própria psicologia humana, assim como "Lost" não pode ser limitado a uma visão apenas de mistérios, porque é sim sobre a vida onde não há respostas definitivas, tudo é aberto a interpretações subjetivas e na forma como nos relacionamos uns com os outros. Pensar que alguém pensa no final como se todo mundo estivesse morto desde o início, entristece pela falta de sensibilidade de perceber que isso não ocorreu na trama e que, mesmo que fosse, não importaria.
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A própria série diz: “Everything happens for a reason”, então por que não olhar a razão de isso tudo ter acontecido? De toda essa jornada que corajosamente falou ao público “don’t tell me what i can’t do”, e fez a sua maneira a obra definitiva sobre a fé.
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Escrito por: @criticascomijpl

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