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ASSUNTO DE FAMÍLIA (2019) - Crítica


ASSUNTO DE FAMÍLIA (2019)

Sinopse: Uma família pobre da periferia de Tóquio comete pequenos furtos para sobreviver e a rotina incomum é alterada quando eles decidem apadrinhar uma garotinha maltratada pelos pais, sem avisá-los disso.

Crítica: Começa com essa atitude nebulosa que poderia ser considerada sequestro se não fosse quase certo fazer o que a família faz. Esse gatilho do roteiro é tão genial que funda em uma só ação o que filme inteiro vai relativizar: as ideias de crime e de família. O pai ensina os filhos a roubar porque não sabe de mais nada que possa ensiná-los (ociosidade, educação ausente), embora esteja sempre buscando uma justificativa (furtar somente o que não tem dono) reveladora de um código de ética próprio que as autoridades são incapazes de compreender. Nesse sentido, se assemelha a 'Custódia' e a 'O Insulto', filmes recentes que expõem a incompetência do estado em lidar com questões humanas muito particulares. Os questionamentos dos investigadores soam tolos e desprovidos de humanidade (a gentileza do comerciante lesado é mais eficaz no aprendizado da criança do que a ação da polícia) e tornam-se dolorosos quando a ocultação de cadáver é realizada com a vitima viva e a definição de ser mãe reduzida a quem pariu alguém.

O conceito de família vai seguir a mesma lógica dos objetos furtados: pessoas pertencem a quem mais precisa delas, e precisar é uma zona acinzentada. Tal como o furto que varia por necessidade ou pelo simples hábito (a marca do xampu, a presilha de gravata) as pessoas se agrupam embaixo do mesmo teto por motivos distintos e complementares: amor, falta de opção, solidão, dinheiro e rejeição. A família é uma estrutura social que possibilita tocar o cotidiano de maneira mais leve, ou menos sofrida, seja o laço de seus membros sanguíneo, afetivo ou alentador de fraquezas que todo ser possui. O humanismo do diretor espia essa natureza através das peripécias diárias de seus personagens tão complexos quanto às circunstâncias sociais que eles se encontram, e ilustra, na interação de pessoas abandonadas, a graciosidade e a atrocidade de uma vida limitada.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
Disponível na Netflix ✔🍿🎬
Escrito por: @cinemacetico ✒

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