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OS OITO ODIADOS (2015) - Crítica


OS OITO ODIADOS (2015)

Sinopse: Fugindo de uma nevasca, oito figuras pouco confiáveis encontram abrigo numa cabana isolada.

Crítica: Foi idealizado como sequência de ‘Django Livre’, mas Quentin Tarantino logo percebeu que um ex-escravo herói que salva sua amada não caberia num cômodo frequentado por seres desprezíveis e cobertos de causas perdidas. Sem romance, sem jornadas dignas e sem o sol desértico, ‘Os Oito Odiados’ então se consolidou como um filme singular, mais sombrio e menos carnavalesco do que o desfile do figurino de Django, e a carrancuda trilha sonora de Ennio Morricone dessa vez pôde ser ouvida sem a mistura pop do outro western.

Após o fim da Guerra Civil e da escravatura dos EUA, as vastas fazendas sulistas são trocadas por um espaçoso estado recente: o Wyoming. Nova nação, antigos conflitos. É nesse cenário que Tarantino aos poucos finca as estacas de um território dividido pelo personagem mais diplomático. O carrasco, introduzido na narrativa com uma eficácia que só rivaliza com a natureza de sua própria profissão, dá partida a uma pauta extensa: a pena de morte, o porte de armas e a legítima defesa. Quando se descobre que alguém odeia mexicanos, já está claro que o sangue será exposto e que o debatido no Armazém da Minnie se perpetuará nos tempos em que se discute sobre quem pode trabalhar e o que se pode vender no Walmart. Não é sádico que Tarantino faça desses problemas sócio-históricos um arcabouço de bang bang, já que qualquer norte-americano sabe que nos Estados Unidos, e nos filmes dos Estados Unidos, coisas demais são resolvidas na bala.

Nesse sentido, o conflito principal tem raízes étnicas, políticas e econômicas. O general dos Confederados é um racista com orgulho de sua patente, ao passo que o major Warren sabe que o uniforme distribuído pela União alistou milhares de negros motivados a fazer o que Django ilusoriamente fazia sozinho. E sempre há um bando de mercenários buscando dinheiro. Todos fadados à desgraça tarantinesca enquanto sustentam-se e iludem-se nas narrativas da nação de Abraham Lincoln.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
Disponível na Netflix ✔🍿🎬
Escrito por: @cinemacetico

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