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DJANGO LIVRE (2012) - Crítica


DJANGO LIVRE (2012)

Sinopse: Um escravo libertado por um caçador de recompensas recebe seu emprego dos sonhos: matar brancos.
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Crítica: Depois de ‘Bastardos Inglórios’, Quentin Tarantino outra vez situa uma narrativa de vingança num cenário histórico específico. Parece obsessão em demonstrar que os personagens são motivados por circunstâncias notórias, ou ainda, os indivíduos são orientados pela vivência cultural. E voilà, Tarantino poderia ser um sócio-histórico e um existencialista. Dessa perspectiva, seus personagens estão habitualmente inseridos em um ambiente marcante e são sempre desprovidos de uma essência louvável. Eles não acreditam em nada intrínseco, apenas reagem à cultura de um mundo absurdo, no caso, uma trama tarantinesca. Acontece que ‘Django Livre’ contextualiza a densa escravatura sulista dos EUA, e por isso a reação dos homens está exposta de forma mais violenta – portanto, evidente.

As marcas nas costas de Django revelam não a essência do homem, mas a essência da instituição escravidão: a violência que mantinha aquela cultura. Django não tem essência, ou melhor, sua essência é formada por fatores que pouco dependem dele: a cor e as chibatadas. E a partir disso ele reage com igual violência, e para evitar que sua amada continue a sofrer dessa. Mas a jornada só se torna parte de Django quando ele segura a espingarda, quando ele vive a experiência. E o mesmo ocorre com o seu parceiro. Dr. Schultz, proveniente de outra cultura, aprende ao conviver com Django, e os dois desbravam as fazendas e provocam reações nos crescidos naquelas plantações, os escravos e os capatazes, bem como um sangrento conflito cultural com os personagens de Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson.

Em geral, mostra que Tarantino não é só formado por uma cultura cinéfila (o western spaghetti, o blaxploitation), mas também que ele acredita na ação de transformar toda a cultura (a trilha toca música clássica, blues, soul, hip-hop, etc). Só acho que o diretor não é tão bom nisso, basta notar que o filme dos bastardos era melhor por polir mais a mise-en-scène do que o pano de fundo histórico-cultural.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐
Disponível na Netflix ✔🍿🎬
Escrito por: @cinemacetico

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