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Meu Eterno Talvez (2019) - Crítica

Meu Eterno Talvez (2019)

Sinopse: Amigos de infância que perderam o contato se reencontram na vida adulta.

Crítica: Pouco acrescenta na estrutura narrativa das comédias românticas ou na dinâmica do casal ao redor dos trinta, pelo menos se você já aceita que a mulher faça mais sexo do que o homem e que ela provenha o pão da casa. Fora isso, o desenrolar e os temas centrais são batidos: dificuldade de sair da friendzone (as migalhas dos coadjuvantes conduzem os pombinhos), trajetórias separadas por interesses distintos (o desleixado e o workaholic), valorização dessa vida oposta (um aprende a importância da dedicação e o outro a curtir o simples), relacionamentos paralelos (os parceiros secundários são obstáculos passageiros) e, claro, já que o gênero é destinado a um público crianção, os protagonistas não pensam em seus futuros filhos, mas sim nos filhos que eles mesmos são. E embora os conflitos com os pais sejam feijão com arroz, a culinária coreana é servida como aperitivo.

Porque o filme segue a tendência de fazer observações culturais daqueles que agora estão representados na tela. A criança vai retirar os sapatos antes de entrar em casa e usar tesoura para cortar vegetais. Porém, quando adulta, apenas o segundo hábito permanece. O interessante aqui é até onde os jovens se transformam ao longo do tempo (o Burger King na adolescência, a comida caseira no clímax) e em conjunto das mudanças sociais (o filho estranha o relacionamento do pai viúvo e teme sair da sua comodidade). Afinal, é sobre a assimilação da própria comunidade: São Francisco hoje não é somente um berço progressista hippie e homossexual das décadas anteriores, agora os hipsters são moda milionária e as lésbicas têm vida ordinária, e ainda, o ego dos típicos conterrâneos ativistas viram boas piadas e negócios excêntricos.

Assim, Keanu Reeves surge tirando sarro de si mesmo em duas cenas que deixam a boca aguando por mais comédias com o ator. Ele é a sobremesa deliciosa que diminui o apetite pelo prato principal: o resto do filme. Por sorte os hilários Ali Wong e Randall Park dão conta de pagar a conta com boas gorjetas.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Disponível na Netflix ✔🍿🎬

Escrito por: @cinemacetico

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