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Black Mirror - 5ª Temporada (2019) - Crítica

Black Mirror - 5ª Temporada (2019)

Sinopse: Três histórias. Velhos amigos se reaproximam por causa de um videogame hiper-realista, um motorista de ‘Uber’ se revolta com o vício em redes sociais, e uma adolescente busca conforto numa boneca que reproduz as características de uma estrela pop.

Crítica: Literalmente, a personalidade da celebridade é comercializada. Não difere tanto do que a Disney fazia com Miley Cyrus na época de 'Hannah Montana', já que os pais não podem negar os produtos derivados para suas crianças. A relação do fã com o ídolo não passa de uma relação de consumo. Um bom espectador da Marvel se orgulha de pagar mais por uma sessão de pré-estreia e ainda usa a manopla do Thanos como balde de pipoca, e um adorador de música só é um legítimo adorador se colecionar os álbuns de sua banda favorita ou, nos dias de hoje, se tiver uma playlist dela no Spotify. Mas se compor músicas em tempos de streaming não é tão lucrativo, que se faça de forma automatizada como um algoritmo que rege as canções de uma diva pop ou dupla sertaneja qualquer, e invista-se, de fato, em shows pirotécnicos e em palcos gigantes o suficiente para que o telão de LED pareça um holograma. Bem, isso é 'Black Mirror', a coisa toma uma proporção exagerada para que você perceba que aquela ficção não é tão ficção assim.

E é difícil notar. Quem desconfia, a ponto de abandonar os serviços, que um Uber ou o vício em redes sociais pode ser perigoso? Zuckerberg tem a resposta. Essas empresas sabem tanto sobre nós que a polícia e o FBI parecem ridículos, então, qual governo não se curva perante as corporações que detém o maior ativo do século? As informações que um app carrega são determinantes. Quantos casamentos seriam economizados se uma esposa frustrada pudesse escanear, com base nos acessos e nos hábitos, a sexualidade do marido? Ou talvez, ainda que realistas e apelativos, pornôs não sejam adultério. Se as outras temporadas eram desconfiadas da tecnologia, essa trata da transição e das possibilidades de aprendizado. A pena é que esses insights não estão acompanhados da dramatização eficaz dos anos anteriores.

Nota: ⭐⭐⭐

Disponível na Netflix ✔🍿🎬

Escrito por: @cinemacetico

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