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Mogli: Entre Dois Mundos - Critica

Mogli: Entre Dois Mundos (2018)

Sinopse: Um menino da selva busca ser aceito pelos animais e deve enfrentar um tigre ameaçador, bem como sua origem dúbia.
Crítica: Quem está entre dois mundos é o próprio filme, não o protagonista. A trama é tão superficial que é impossível dar importância ao dilema do humano criado por lobos. A alcateia o absorve e o rejeita antes do roteiro estabelecer um mínimo dramático, os sentimentos que a criança carrega por ser diferente são expressados em cenas clichês e quando Mogli declara “eu sou um lobo” eu me lembrei de como uma música coreografada pela Disney ajuda a engolir essa carambola.
A narrativa parece ter sido escrita para crianças no sentido em que todos os momentos dramáticos que transformam Mogli são óbvios, sem qualquer tipo de nuance que poderia confundir um espectador que burlou o “controle dos pais” na Netflix, mas, ao mesmo tempo, apresenta imagens adultas de um menino ensanguentado sendo cobrado, espancado e rasgado por todo tipo de besta da floresta. Até o “povo dos macacos” vai da ingenuidade cômica à psicopatia demoníaca de uma cena a outra, revelando que se Molgi está perdido entre correr como lobo e usar seu polegar opositor para escalar árvores, o filme mal sabe em que galho se pendurar e apenas rasteja como a cobra interpretada por Cate Blanchett.

Andy Serkins, conhecido por dá vida a Smeagol, King Kong e ao líder do Planeta dos Macacos através da tecnologia de captura de movimentos, dirige “Mogli” e imputa a seus personagens uma humanidade que transcende as feras de computador, mas eu não quero ver os olhos de Christian Bale numa pantera de personalidade simplista (o que dizer dos lobos e da mãe?). Isso funcionou nos outros filmes não só porque hobbits e macacos são parentes mais próximos do homem, mas porque aqueles personagens tinham complexidades de homo-sapiens. Serkins persegue a ideia contemporânea de colocar, lado a lado, humanos e animais. Mas o livro que originou essa lenda da selva trata de dominação: do colonizado pelo colonizador, da supremacia do homem na natureza, da superioridade de Mogli sobre os outros seres.
Nota: ⭐⭐
Escrito por: @cinemacetico
Disponível na Netflix ✔🍿🎬

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