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CAM, Vale a pena ? confira a Critica

CAM (2018)


Sinopse: Alice é blogueira de webcam numa rede social pornográfica, mas para o desespero da jovem sua conta é clonada no ápice da popularidade.
Crítica: Lacan disse que a verdade só pode ser dita nas malhas da ficção. Talvez por isso os assuntos delicados que o público não está disposto a absorver com penetrações diretas lubrifiquem sua expressão nos filmes de gênero. Nesse aspecto, “Cam” goza (com o perdão do trocadilho) do thriller tecno-psicológico e de certo fetiche de terror para capturar o público tão rapidamente quanto o clique adolescente num anúncio pornográfico. O suspense é estabelecido através da típica trama de perda da identidade e da estrutura de investigação, e sustentado pela técnica que excita com planos-sequência que acompanham a apreensão da protagonista.


No entanto, o orgasmo não está no desflorar dramático da narrativa, mas na busca do abstrato ponto G, nas ideias que circulam dor e prazer – dependendo de quem assiste. Pois o filme é sobre a fusão da personalidade real com a virtual, que confunde, angustia e, finalmente, aprisiona. Logo, pouco importa como o roteiro explica o clone, mas sim que a nova persona tem vida própria e ilustra o que Alice deseja ser (confiante, popular) e também o que ela não deseja (“aquela não sou eu”), e isso, cá pra nós, implica numa eterna encenação de quem está logado numa rede social, onde a sexualidade (a beleza, o decote) e os absurdos de exposição (o corpo, o suicídio) são artifícios de fama. Mas se por um lado o filme exibe esses embaraços (o encontro com um conhecido da internet, o estar desconectado), ele não condena os comportamentos e os trata como uma progressão inevitável (a mãe se esconde na maquiagem, a filha no computador) e deixa claro que atrás dos perfis existem humanos problemáticos.
Ou seja, permite empatia pelas trabalhadoras do sexo (a agenda, a competição, as estratégias), uma classe refém do patriarcado que explora o serviço e o mantém estigmatizado. Numa história comum, Alice faria o que faz por não ter alternativas até que um homem surgisse para salvá-la, mas em "Cam" ela escolhe ser o que é.
Nota: ⭐⭐⭐⭐
Escrito por: @cinemacetico
Disponível na Netflix: 🎬🍿✔

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