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Anon - Critica - Citou Noticias

ANON (2018)



Sinopse: Num futuro onde não há crime por causa de um sistema de vigilância extrema, ser detetive não é o trabalho mais desafiador para Sal Frieland (Clive Owen), até que assassinatos misteriosos são cometidos por alguém que ameaça o sistema.

Crítica: Para o público mais contemporâneo, “Anon” vai parecer um episódio de Black Mirror (2011-) que cria um universo distópico onde a tecnologia é usada para facilitar, e ao mesmo tempo oprimir, a vida de seus habitantes solitários. A temática é obviamente oportunista, mas não deixa de ser pertinente numa realidade em que cresce o monitoramento de dados online (escândalo do Facebook) e a vigilância do governo (sob o pretexto de combate ao terrorismo e crimes em geral).

Já para os cinéfilos aplicados, “Anon” recordará também a atmosfera dos filmes noir: ambientação urbana pessimista, veículos característicos, álcool e tabaco, sujeitos moralmente dúbios comprometidos em investigações e um protagonista melancólico que se complica ao envolver-se com uma mulher pouco confiável – a “femme fatale”.



Andrew Niccol é elegante ao construir universos, ele dirigiu Gattaca (1997) e escreveu O Show de Truman (1998), mas “Anon” não vai além desse charme friamente fotografado em tons azuis e cinzas e levemente acalorado pelo conforto do bege e do marrom. É como se o desânimo do ambiente hackeasse o roteiro, dificultando o algoritmo a criar o plot-twist que mais faz o espectador bocejar do que exatamente ficar surpreso. As subtramas são instaladas como apps de função específica, o passado de Sal tem o propósito de ser apagado para gerar um drama que nem o próprio Clive Owen acredita na emoção pretendida ali, e o interesse da “garota” em transar com possíveis vítimas não tem finalidade substancial, servindo apenas para inserir cenas de sexo e nudez.

Em suma, o enredo inconclusivo não transmite mensagens significativas, embora o pretenda fazer com a citação inicial e o diálogo final. Como episódio de Black Mirror, a reflexão é vazia e a crítica superficial, como filme noir, a intriga é tediosa e sem alvo.

Nota: 🌟🌟
Escrito por: @cinemacetico
Disponível na Netflix ✔

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