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FOME - CRÍTICA

Sinopse 

Em São Paulo, um morador de rua vaga pelas ruas da cidade, buscando um lugar onde dormir, e água para se lavar. Aos poucos, conhecemos mais sobre este homem que já foi um renomado professor da USP, e hoje mora nas ruas por opção. Uma jovem pesquisadora, fascinada com o caso do homem que batiza de "Malbou", começa a refletir sobre as maneiras de ajudar pessoas nessas condições.

Não recomendado para menores de 12 anos
Direção Cristiano Burlan 
Com Jean- Claude Bernardet e Ana Carolina Marinho 
Vitrine filmes
"Sonho? Aqui a gente não sonha não!" -moradora de rua sem nome, depoimento
O filme em preto e branco se inicia calmamente tendo o desenrolar da trama um tanto enigmático e lento, observamos o dia-a-dia de um morador de rua de um lado do filme, e quase na metade, se insere uma jornalista procurando um furo pra documentário, buscando na rua histórias que a cativa para registrar. 
A trilha sonora é o áudio -controlado- das ruas, claramente é compreensível a proposta da realidade a ser passada, também são incluídas nas cenas no minhocão, com voz e violão pelas músicas do Andróide Sem Par  que narra a poesia do filme em melodia. 

Um filme de pura reflexão, seja ela qual forma vier. enquanto assistimos fazemos críticas silenciosas de nós mesmos, questionando-nos a que ponto se chega quando tratamos de nos importar uns com os outros? Isso ainda existe? O que precisamos para levar um boa vida? O que passar disso se torna uma mera distração? O diretor Luis Buñuel confessou, mais tarde, que sempre foi perturbado pela presença de mendigos, porque eles o faziam sentir culpado por ter uma boa condição de vida. Este incômodo, de certo modo, constitui o tema de Fome, produção de Cristiano Burlan que analisa a inserção de um morador de rua (Jean-Claude Bernardet) na cidade de São Paulo.

Muitos enigmas acabam que por se tornando altas críticas pessoais em Fome, e não pense que você sairá com as respostas, já que elas desaparecem sorrateiramente, mesmo com o principal no papel de mendigo isso não o torna ativista  ou questionador, pelo contrário quando lhe é dado a palavra -da mesma forma que aconteceu com outros 3- ele prefere cantar a história de Malbou. Citando os outros moradores de rua, são excelentes em seus depoimentos, a realidade que é vista em seus olhos em poucos minutos chegam a ofuscar sabotando o próprio filme, pois nenhuma cena de Jean-Claude Bernardet chega a essa força, já que está nas ruas por opção -o que fica claro mais tarde.

Fome nos espera, mesmo claramente nos dando a opção de comparação entre o real e o fictício, nos fornece um ótimo material para poesia e liberdade. Por isso, assista, se questione também e deixe um comentário do que achou.
Nota da crítica: 7
ESTRÉIA HOJE, 4 DE AGOSTO DE 2016 NOS CINEMAS
Confira o trailer:
Instagram @aignomo

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